Resposta rápida: Nem toda mulher com endometriose precisa operar. A indicação cirúrgica depende do nível da dor, da resposta aos tratamentos hormonais, da preservação da fertilidade e do comprometimento de órgãos como intestino e bexiga. Seguindo as diretrizes da ESHRE (Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia), em Florianópolis, o Dr. Rodrigo Don Braga realiza uma avaliação criteriosa para definir se a cirurgia (via Videolaparoscopia ou Cirurgia Robótica) é o passo mais seguro e necessário para a paciente.
Nem todo caso de endometriose precisa de cirurgia
A endometriose é uma doença crônica, complexa e extremamente individualizada. Existe uma grande diferença entre o que aparece no exame de imagem e o que a paciente realmente sente no dia a dia.
Existem mulheres com lesões extensas de endometriose profunda que apresentam poucos sintomas. Por outro lado, há pacientes com lesões superficiais que sofrem com dores incapacitantes, prejuízo no trabalho e impactos na vida íntima.
Por isso, o diagnóstico da endometriose por si só não é uma sentença cirúrgica.
As diretrizes internacionais de saúde ginecológica destacam a cirurgia como um recurso importante para o alívio da dor e tratamento de complicações, mas não como um procedimento obrigatório para todas.
O tratamento clínico (sem cirurgia) é o primeiro caminho quando:
- Os sintomas de dor pélvica e cólicas estão bem controlados;
- Não há sinais de bloqueio ou risco de lesão grave em órgãos como intestino, ureteres e bexiga;
- A paciente apresenta boa adaptação aos medicamentos e medicações hormonais;
- O planejamento para engravidar não exige uma intervenção cirúrgica imediata;
- Os riscos do procedimento cirúrgico superam os benefícios esperados no momento.
Quando a cirurgia de endometriose passa a ser recomendada?
A avaliação cirúrgica torna-se prioridade quando a doença compromete a segurança funcional de órgãos pélvicos ou afeta severamente a qualidade de vida da mulher sem resposta ao tratamento clínico.
Sinais que exigem avaliação com cirurgião ginecológico especialista:
- Falha no tratamento medicamentoso: Dor pélvica e cólicas intensas que persistem mesmo com o uso de hormônios e analgésicos;
- Dor na relação sexual (dispareunia): Desconforto profundo e persistente que impede a vida íntima;
- Endometriose profunda sintomática: Comprometimento do reto, sigmoide, bexiga ou ureteres com risco de obstrução;
- Presença de aderências pélvicas: Modificação importante da anatomia dos órgãos da pelve;
- Endometriomas ovarianos específicos: Cistos ovarianos volumosos, dolorosos ou com dúvida diagnóstica;
- Infertilidade associada: Dificuldade para engravidar em que a remoção das lesões e a restauração da anatomia pélvica podem favorecer a gestação.
Videolaparoscopia vs cirurgia robótica de endometriose: qual a diferença?
Ambas são técnicas minimamente invasivas, realizadas sob anestesia geral por meio de pequenas incisões no abdômen, garantindo menor sangramento e recuperação pós-operatória mais rápida.
| Recurso | Videolaparoscopia Tradicional | Cirurgia Robótica |
| Visualização | Imagem Full HD / 4K em tela 2D | Visão Tridimensional (3D HD) com ampliação e profundidade |
| Instrumentos | Pinças rígidas manuais | Instrumentos articulados que imitam o pulso humano (Endowrist) |
| Precisão | Alta precisão dependente do cirurgião | Filtro de tremores e ergonomia avançada para o cirurgião |
| Indicação Principal | Casos leves, moderados e profundos | Casos de alta complexidade (múltiplos órgãos, reoperações) |
O parecer do especialista: Uma revisão de 2024 publicada na Frontiers in Medicine confirma a cirurgia robótica como uma excelente alternativa para endometriose profunda. Contudo, a tecnologia é apenas uma ferramenta. A precisão da ressecção das lesões e a segurança da paciente dependem fundamentalmente da experiência e do treinamento da equipe médica cirúrgica.
Cirurgia de endometriose e fertilidade: é possível preservar o sonho da maternidade?
A decisão de operar uma paciente que deseja engravidar exige cautela absoluta.
- Preservação da reserva ovariana: Em cirurgias de cistos nos ovários (endometriomas), a técnica empregada deve ser extremamente delicada para remover a cápsula da lesão sem danificar os folículos ovarianos saudáveis.
- Restauração da anatomia: A liberação de aderências nas trompas e no útero pode restabelecer as condições para uma gravidez natural.
- Reprodução assistida (FIV): Em determinados cenários, as diretrizes da ESHRE recomendam prosseguir diretamente para a Fertilização in Vitro em vez de indicar uma cirurgia prévia.
Retirar o útero (histerectomia) é sempre necessário?
Definitivamente não. A cirurgia de endometriose visa a excisão completa apenas dos focos da doença e das aderências, preservando o útero e os ovários sempre que possível.
A histerectomia é considerada apenas em circunstâncias restritas, como na presença concomitante de adenomiose grave, dores refratárias a todos os tratamentos e quando a paciente já tem prole constituída e expressa expressamente o desejo de não gestar mais.
Como é o planejamento cirúrgico com o Dr. Rodrigo Don Braga em Florianópolis?
Uma cirurgia de endometriose bem-sucedida começa no pré-operatório. Para garantir total assertividade e segurança, o plano cirúrgico envolve:
- Mapeamento de lesões por Imagem: Realização de Ultrassom Transvaginal com Preparo Intestinal ou Ressonância Magnética da Pelve para identificar previamente o local exato de cada lesão.
- Abordagem multidisciplinar: Quando há envolvimento do intestino ou trato urinário, a cirurgia é planejada conjuntamente com proctologistas ou urologistas especializados.
- Formação especializada: Com residência em Ginecologia/Obstetrícia, especializado em Videolaparoscopia e certificado em Cirurgia Robótica, o Dr. Rodrigo Don Braga avalia a real necessidade da cirurgia, priorizando a via minimamente invasiva mais segura para cada caso.
Perguntas frequentes sobre a cirurgia de endometriose (FAQ)
A cirurgia de endometriose é definitiva ou as lesões podem voltar?
A cirurgia tem como objetivo remover todos os focos visíveis da doença. No entanto, por se tratar de uma doença inflamatória crônica, existe o risco de recidiva. O uso de acompanhamento hormonal no pós-operatório reduz significativamente essa taxa.
Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia minimamente invasiva?
A recuperação média varia entre 14 e 30 dias, dependendo do porte da cirurgia e das estruturas abordadas (como intestino ou bexiga). Atividades leves costumam ser liberadas nas primeiras semanas.
Quem tem endometriose profunda obrigatoriamente precisa operar?
Não. Se a endometriose profunda for assintomática e não oferecer risco de complicação funcional para rins, ureteres ou intestino, a paciente pode ser conduzida com acompanhamento clínico rigoroso.
Agende sua consulta de avaliação em Florianópolis
Se você possui diagnóstico de endometriose, convive com dores fortes ou busca uma segunda opinião médica sobre a indicação de cirurgia, agende uma avaliação individualizada.
Referências científicas
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Human Reproduction Open. 2022;2022(2):hoac009. DOI: 10.1093/hropen/hoac009.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Endometriosis: diagnosis and management. Guideline NG73.
- Ferrari FA, Youssef Y, Naem A, et al. Robotic surgery for deep-infiltrating endometriosis: is it time to take a step forward? Frontiers in Medicine. 2024;11:1387036. DOI: 10.3389/fmed.2024.1387036.


